terça-feira, fevereiro 19

Farewell, my love!

As malas estão feitas.
Estou à espera do táxi faz já quinze minutos. Ela dorme enquanto eu ando às voltas na sala de forma paranóica e bruta deixando o chão marcado pela sola dos meus sapatos. Não tenciono fazer barulho, afinal não faz sentido fazer ainda mais bagunça por cima da que já está feita. Não lhe disse que vou partir, mas, quando acordar, ela irá ler o bilhete que deixo. Um bilhete simples e que, para mim, representa tudo, tudo menos a coragem, pois essa fugiu-me no momento em que lhe ia contar que tinha decidido ir embora.
Um carro buzina lá fora.
- Deve ser o táxi… -penso eu.
Pego nas malas e encaminho-me até à porta, ao abri-la deparo-me com a mão do homem próxima da campainha.
-Não faça isso. Ela ainda dorme…
-Desculpe… Quer ajuda?
-Sim, por favor. Pode levar-me as malas até ao carro? Ainda tenho uma coisa para fazer…
-Claro!
-Obrigado.
Voltei para dentro de casa e fui em direcção ao quarto. Abri a porta devagar para não a acordar. Entrei e aproximei-me da cama sorrateiramente. Tirei-lhe os cabelos que lhe tapavam o rosto e deixei-lhe um último beijo de recordação. Levei a mão ao bolso e tirei o bilhete e, antes de sair, deixei-o ao lado da cama, junto ao candeeiro. Saí do quarto com rapidez, fechado a porta atrás de mim e, passando pela sala, peguei no telemóvel e na carteira e fui, então, em direcção à porta de saída da casa. Bati a porta e desci o pequeno degrau. Estou já fora de casa, prestes a entrar no táxi e a ir para o aeroporto.
-Quando acordares vais ler o bilhete, eu sei que vais… - sussurrei eu para que o condutor não ouvisse.
Entrei no carro e disse ao homem para onde era a ida e ele arrancou. Não me atrevi a olhar para trás. Penso ainda no bilhete que lhe deixei. Não diz nada que seja suficiente para me desculpar.
“Quando estiveres a ler isto, provavelmente, já eu estarei dentro do avião. Desculpa por não te ter avisado. Eu tentei, mas a coragem falhou-me. Esta foi a maneira que encontrei para me despedir.
Vou embora. Não penses que vou por cobardia ou por não gostar de ti, pois quer uma quer outra estão erradas. Vou porque é o melhor para nós.
Eu vou partir, mas com promessa de regressar para junto de ti.
Farewell, my love!”

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