terça-feira, setembro 10

Assombrados

Sou oriundo de uma raça caracterizada pelo vigor da fantasia e pelo ardor da paixão.



Há dias em que a agonia nos assombra ferozmente. 
São dias assim que nos fazem encontrar choros ancorados no fundo do nosso corpo e fazem com que as rugas sobressaiam mais tal é o esforço louco que se faz para manter as âncoras bem presas.
A garganta seca e começa a arder impiedosamente – provavelmente são os segredos que explodem; segredos que estão ancorados bem ao lado dos choros.
A raiva seca a boca e os lábios fazem com que eles estalem e obrigando-os a mostrar que são de sangue. A boca virou deserto, preenchido por cactos espinhosos que massacram, em horas frágeis. São paixões silenciosas, os cactos. Ou beijos perdidos. O sangue dos lábios são sonhos que brotam sem rédeas, fantasias estridentes que ferem. Ou talvez saudade, de outros lábios.
Agoniamos, em dias, sozinhos, todas as paixões infernais e fantasias furiosas.
Somos assombrados pelas paixões, como se elas fossem demónios travessos que nos querem possuir.

2 comentários:

  1. Gostei muito! transmite realmente aquilo que por vezes sentimos. Parabéns *.*

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  2. Concordo imenso com a frase "tal é o esforço louco que se faz para manter as âncoras bem presas". Gostei muito do texto :)
    Obrigada por seguires; fico à espera da tua participação. (sim, My Chemical Romance, sou completamente viciada :P)
    E claro que vou continuar a visitar, a ler e a comentar! Sempre que puder, cá estarei eu.

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