quarta-feira, setembro 25

E fugiu

Deixou-se levar.
Sentado na pequena embarcação, deixou-se levar pelo vento. Fechou os olhos e foi-se perdendo no barulho e embalar das ondas. O cheiro a maresia fincava-se nele à medida que as ondas iam sendo rasgadas.
Não estava bem assim.
Preferiu deitar-se.
O céu azul morria bem por cima da sua cabeça. Quem olhasse lá para o fundo, bem para as entranhas do horizonte ficava desnorteado, pois o fim do mar e o começo do céu faziam-se um só, sem lamúrias ou receios.
As nuvens não vieram hoje, ficaram em terra, negras. E foi por isto que partiu. A terra estava um inferno, por muito que ele gostasse do negro que o rodeava e enchia, o cheiro a morte e a carnificina mergulhavam-no no estado mais puro que ele tinha; mas não podia.
Não podia e fugiu.
Porque teve de ser.
Fugiu, porque fugir é bom. E perdermo-nos é infinitamente melhor.

2 comentários: