sexta-feira, outubro 18

Despedida

Uma total inércia aprisiona-lhe o rosto. Não há movimentos de respiração, nem sequer um simples pestanejar. O olhar fixa-se no ponteiro fino do relógio, fazendo-o afogar nos segundos vagarosos que passam. O barulho do vento e a chuva furiosa não incomodam. A mão solta desleixadamente o arranjo das flores pálidas na relva molhada.
Virou costas.
Aquela fora a melhor maneira que arranjara para se despedir. 
A lápide ficara já lá no fundo e, agora, seriam apenas desconhecidos. Desconhecidos que apenas tiveram uma paixão em comum.

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