sexta-feira, março 21

Caleidoscópio - 1

Dedilhava o corpo gelado vezes e vezes sem conta. 
Por mais vezes que repetisse tais movimentos continuava angustiado e com saudade; saudade de tocar aquele corpo, aquela pele arrepiada e a ferver quando se perdiam por entre espaços de tentação.
Ainda hoje tudo lhe parece difuso. O fim que conhece tem inúmeros meios e alternativas, lembra-lhe o caleidoscópio por onde ambos olharam e juraram amar-se terrivelmente por entre pecados e tentações. 

Tu. Hoje lembrei-me de quando costumávamos beber café com esse mesmo gelo de que falas, quando a cidade era outonal. Já reparaste que não somos outra estação? Podíamos viver numa redoma só de toques e sensações, e ninguém saberia desse segredo que é o amor. O nosso envolve paixão e sabedoria, porque é mesmo isso que tens de mim. O conhecimento da geografia do meu corpo. Os arbustos e marés que se tornam perigosas com o teu toque que me excita.
Hoje bebo café sozinha e já não estás. Não há sensação, só imagem.



Ricardo Cunha e Mariana Branco

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