sexta-feira, março 14

Em terra de amores e matadores

Os bramidos das espadas faziam-se ouvir por entre os tiros que voavam. A terra estava no seu fim. As lutas eram como o sol, havia uma – mais ou menos escaldante - todos os dias. E, todos os dias, o chão poeirento ficava manchado de sangue e habitado, mesmo que por breves segundos, por cadáveres frios e derrotados.
Eram correrias, gritos de socorro vindos de uma à outra ponta da rua e pessoas: pessoas que lutavam, pessoas que desesperavam, pessoas que assistiam e pessoas, apenas.
Eram homens desesperados, em lágrimas secas escondidas, pela morte de alguém e mulheres a arder, em chamas intensas, na fogueira das bruxas. Havia moços mortos e abutres fartos.
Havia de tudo para os poucos que existiam.
Tudo era permitido na terra longínqua, mesmo aos escassos bichos que passassem.
A terra até podia estar a colapsar mas, no meio de tanta luta ainda existiam resquícios de amores e abundância de matadores.

Histórias, como esta, corriam de boca em boca apregoando o recanto do inferno onde havia amor. Era mote de convite.
Quase todos eram bem-vindos. Quase todos porque, em terra de amores e matadores, não há lugar para príncipes e princesas;
apenas homens e mulheres, comuns, de carne e osso.

Da rubrica «Em Terra de Amores e Matadores», no blogue Reinventei-me com palavras

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