domingo, março 2

Excita-me

Excita-me, enquanto podes.
Em nós há mais desejo que a pele que nos tapa a carne quente e desesperada por um beijo simples mordido - talvez demorado, talvez fugaz. Avançamos para o escuro, consumidos sem intervalos pela falta de tudo: do teu perfume solto preso no meu corpo, dos teus olhos castanhos enormes ficados em mim, mas cheios de céu e estrelas e lua cheia, da tuas mãos macias ou das tuas unhas que me torturam deliciosamente perfurando a carne das costas.
Tudo sem roupa, sem lençóis, sem cama; com chão, só e apenas o chão aquecido pelo sangue que ferve e corre louco dentro dos corpos; o sangue que nos aquece e faz vivos, aquele que lentamente sai nas costas.
Já sabes, podes tudo; quase tudo:
mas, lembra-te, não me ames, excita-me; Só.

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