domingo, junho 1

1 de Junho

Nos dias de pequenez, independentemente do tempo, não havia dias maus e, se os houvesse, nada que um rebuçado ou cinco minutos de pontapés na bola não resolvessem.
Eram tardes quentes de verão que ninguém queria que acabassem; as mesma tardes eram gastas de calções e t-shirts finas, à volta de um tanque de água mexida, atrás de pequenas rãs ou de girinos gordos – os vulgos cabeçudos.A infância foi passada a correr atrás dos bichos da terra, nos palheiros atrás dos gatos recém-nascidos, às escondidas nos pinhas de sombra fresca, dos ninhos nos telhados e árvores. Eram os gatos atirados das janelas, afinal tinham sete vidas e caiam sempre de pé e, raio, a nossa curiosidade era grande! Era a lama nas sapatilhas e os joelhos a escorrer sangue; quedas ou malhos e até os maiores tralhos não nos faziam arredar pé.
Éramos contentes sem querer e sem saber. Éramos tudo mesmo sem pensar.

Hoje ainda temos as lucarnas para nos lembrarmos de tudo. E o que nos vai valendo são elas porque o resto, o resto é silêncio.

Sem comentários:

Enviar um comentário