quarta-feira, julho 23

Talvez te veja todos os dias

Talvez te veja todos os dias.
Talvez te veja todos dias mesmo tentando desviar o olhar e contrariando a minha vontade de não te ver. Se o faço, se te vejo, é apenas porque acontece, ao acaso. 
E, acasos destes não quero mais. Preferia os outros, onde batíamos com os peitos tentando abraçar o que era nosso, por direito, em tempos. Onde por querer fazíamos os nossos olhares embaterem colidindo bem de frente provocando acidentes que nos abalavam por dentro; ou, ainda, acasos, onde nada se passava, não havia troca de olhares, apenas o rio em frente, o banco de jardim as nossas mãos pousadas uma em cima da outra e o nosso silêncio. Se todos os silêncios fossem como esse o «amo-te» não se teria gasto tão rapidamente.
Talvez te veja todos os dias e não queira, mas não controlo os sonhos que tenho.

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